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Sabendo que a origem da palavra cura está em cuidar, pode-se dizer que a depressão tem cura, sim. Em alguns casos é preciso um trabalho conjunto entre psiquiatra e psicólogo clínico. Recorrer a esses profissionais é uma das melhores formas de se compreender, elaborar, transformar e curar a depressão.

Compreender o sofrimento humano e a doença mental é uma tarefa complexa que exige articulação de alguns conceitos. Além de escutar os episódios é preciso estudar a presença de outros fatores biológicos, psicológicos ou mesmo sociais. Um profissional de saúde mental tem como primeira meta identificar o problema de seu paciente na tentativa de oferecer-lhe alívio. Contudo, a avaliação diagnóstica e a conduta terapêutica oferecem inúmeras possibilidades merecedoras de atenção.

A depressão foi objeto de estudo de muitos pensadores psicanalíticos, iniciando por Freud, que se debruçou sobre o assunto em 1894. O ensaio “Tristeza e Melancolia”, publicado em 1917 é a maior contribuição de Freud sobre o tema.

Na obra, o pensador faz um paralelo entre tristeza e melancolia concluindo que ocorre um “profundo e doloroso desânimo, renúncia ao interesse pelo mundo exterior, perda da capacidade de amar e inibição de toda a atividade”.

Freud esclarece que a tristeza exerce um trabalho necessário permitindo que o indivíduo desvie os sentimentos ou libido investidos no objeto de amor perdido e os torne disponíveis para outras relações. Ocorre que essa transição não é fácil, pois a mente humana tende a prender-se ao objeto perdido negando a realidade da perda. Trata-se de um artifício com a finalidade de evitar a dor e a separação. Quando a dor não é liberada pela tristeza, a separação é incompleta e o ego permanece ligado ao objeto perdido, inibido na sua capacidade de estabelecer novas relações; estamos assim no terreno da tristeza patológica. A assim chamada depressão, consiste no ego corroído pelo colapso energético do corpo, resultado numa condição sem vida ou reação.

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Antonio Guillem | Bigstock

Na tristeza, a perda é reconhecida e aceita, já na depressão ou é desconhecida ou não admitida. Quando a perda não é admitida, a pessoa passa a funcionar como se não houvesse ocorrido e modifica seu comportamento para não ter que considerar esta admissão.

O indivíduo que se lamenta, expressa sua tristeza e encontra diferentes formas de liberar ou descarregar sua dor. Quando isso não ocorre, a dor precisa ser reprimida para ser contida. A repressão acarreta uma redução de todos os aspectos vitais da personalidade da pessoa. Nesse caso, a vida emocional fica empobrecida porque a repressão de qualquer sentimento suprime todos os sentimentos. Freud observou que na tristeza, o mundo da pessoa torna-se pobre ou vazio e na depressão é o ego que fica pobre ou vazio.

A depressão não deve ser encarada como uma reação psíquica apenas e não pode ser tomada como um simples sintoma. Ela afeta toda a personalidade e o corpo, é a perda de sentimentos. Daí, pode-se dizer que o depressivo chora a perda da sua vitalidade.

Karl Abraham foi um dos primeiros analistas a relacionar a depressão do adulto a uma depressão na primeira infância. Ele acreditava que a reação depressiva no adulto era uma reativação de uma experiência similar experimentada pela pessoa quando criança. Assim, na depressão não existe apenas perda de amor, mas também a repressão da reação instintiva a esta perda.

Melanie Klein estudou o fenômeno da depressão infantil e sob sua teoria contribuiu para o avanço da questão da depressão. O entendimento kleiniano da depressão segue uma série na qual o sadismo leva à angústia paranóide que gera culpa que culmina na depressão, esta última concebida como tentativa de reparação do dano sádico inicial.

Já Lacan entende a depressão referindo-se à melancolia a partir do campo da psicose. A abordagem lacaniana se dá acerca do que está em questão na depressão, não a partir de uma leitura da emoção, mas partindo de uma perspectiva ética.

Alexander Lowen ressalta que toda pessoa depressiva carrega uma enorme carga de culpa. Sua depressão é sinal de seu fracasso definitivo. Não compreende que sua depressão resulta de sua culpa quando a carga parece muito pesada para carregar. Cava um buraco profundo tornando a recuperação trabalhosa. O deprimido não consegue enxergar a dinâmica psicológica de sua condição, por isso é necessária uma intervenção terapêutica para que possa liberta-se do ciclo repetitivo em que se encontra.

Uma psicoterapia oferece ao paciente a oportunidade de ficar consciente de possíveis emoções reprimidas associadas a perdas experimentadas ao longo da vida. Uma terapia eficaz pode capacitá-la a revivenciar a perda original e como adulto libertar sua dor como um lamento condizente. A capacidade depressiva é superada quando o paciente consegue para sair em busca de prazer.

Referências:

COSER, O. Depressão: clínica, crítica e ética [online]. Rio de Janeiro: Editora FIOCRUZ, 2003. 170 p. Coleção Loucura & Civilização. ISBN: 85-7541-030-X. Disponivel em SciELO Books <http://books.scielo.org>.

LOWEN, Alexander, 1910. 0 corpo em depressão: as bases biológicas da fé e da realidade. São Paulo: Summus, 1983.

TREVISAN, Júlia. Psicoterapia psicanalítica e depressão de difícil tratamento: à procura de um modelo integrador. Rev. psiquiatr. Rio Gd. Sul [online]. 2004, vol.26, n.3 [cited 2015-06-22], pp. 319-328 . Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-81082004000300009&lng=en&nrm=iso>. ISSN 0101-8108. http://dx.doi.org/10.1590/S0101-81082004000300009.

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