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As Patologias Narcísicas nos transtornos alimentares: Anorexia e Bulimia

Anorexia e Bulimia

Anorexia e Bulimia

Muitos foram os autores psicanalíticos que se dedicaram ao estudo da Anorexia e Bulimia a fim de compreendê-las e melhor defini-las, embora suas conceituações não pertençam ao campo psicanalítico. Se a anorexia nervosa e bulimia não são conceitos psicanalíticos, o que a psicanálise pode dizer sobre elas?

Transtornos alimentares se tornaram o sintoma “da moda” na época contemporânea. Devido ao grande número de mulheres que apresentam esta patologia, a anorexia e bulimia encontram um “espaço” na sociedade sendo encaradas não mais como doenças, mas como um comportamento que reflete a cultura atual, um estilo de vida, onde estar belo e magro é a condição mais importante.

De acordo com Ferreira (2003), a anorexia é tida como uma perturbação que atinge predominantemente mulheres púberes, com uma incidência de 10 a 20 vezes maior que em homens, principalmente de classes mais abastadas e, sobretudo, bailarinas e modelos (4%). As pacientes apresentam uma distorção de sua imagem corporal, perseguindo, a todo custo, o que percebem como uma boa forma, e que acaba por acarretar-lhes complicações endócrinas (amenorréia) e nutricionais.

Já a bulimia ocorre, segundo o autor, em maior número entre adolescentes mais velhos e adultos jovens. O indivíduo que manifesta esta perturbação adota algumas medidas (jejuns, ingestão de medicamentos, exercícios físicos) para atingir sua meta: possuir um “corpo ideal”. De modo geral, se caracteriza por episódios de hiperfagia, seguidos de sentimento de culpa, que se traduzem em vômitos provocados.

Zirlinger (1996) chama a atenção para o caráter ‘epidêmico’ que os denominados transtornos alimentares assumiram nos últimos tempos, motivo pelo qual diversos autores atribuem a fatores culturais contemporâneos o afloramento destas perturbações, tais como: o culto ao corpo esbelto/ideal de feminino magérrimo, representado principalmente pelas modelos; o consumismo; a reorganização das relações familiares; as novas configurações do masculino/feminino e as mudanças na relação mãe-filha. Ferreira (2003) chama a atenção para o fato de que a anorexia é rara na Ásia, na África e em países árabes, onde o culto ao corpo é menor. Contudo, Ferreira (2003), López-Herrero (1999), bem como Vendrell (2004), sustentam que explicações sociológicas, apesar de essenciais, não dão conta do problema, frisando a necessidade de se recorrer às contribuições da psicanálise para desvendar o sintoma, considerando que esta possui um lugar na história individual.

Não devemos esquecer do valor simbólico da comida. Para isso, recorremos a Totem e Tabu, onde Freud considera que o alimento tem por função promover o enlace social. Quando incapaz de cumprir essa função, o alimento adquire o papel de compensador para a angústia. O aumento de casos de transtornos alimentares na atualidade poderia ser entendido como fruto do modo de organização da sociedade, na qual o alimento não promove a união, mas serve de artifício ante a angústia, daí o excesso de comida na obesidade, para preencher o vazio interno, ou a sua recusa, na anorexia, como modo de demarcar seu próprio desejo ante o Outro.

Vemos que os autores relacionam, nalguma medida, os distúrbios alimentares com a angústia, vazio, insuficiência nas relações afetivas e outros, que não deixam de ser aspectos característicos da sociedade atual. Mas podemos sustentar que estamos efetivamente frente à novas patologias narcísicas?

A era da Internet e do mundo globalizado, o padrão de beleza, a mídia e a moda permitiram que as anoréxicas e bulímicas se encaixassem e entrassem em sintonia com a sociedade. A mania mundial por alimentos e produtos diets e light e a vida agitada que se tem atualmente, assim como a exigência da sociedade para que se tenha um corpo saudável, jovem e longilíneo, possibilitou que essas pacientes não fossem percebidas como doentes. Esta sintonia entre a paciente com Anorexia/Bulimia e a sociedade atual, além de permitir que elas fossem aceitas, sem chamar atenção, permitiu, também, que este modelo de beleza fosse introjetado pelas adolescentes, que passaram a fazer qualquer coisa para se enquadrar neste modelo. A parceria dessas patologias narcísicas com a sociedade contemporânea é tão grande que permite que algumas olhem este transtorno alimentar não como uma doença, mas como um estilo de vida (o que é assustador!).

Atualmente constatamos que as contribuições da psicanálise acerca da anorexia e bulimia têm muito a nos informar e podem ser encontradas sob enfoques teóricos diversos, confirmando a impressão de estarmos diante de um mosaico quando nos debruçamos sobre o estudo desta questão.

O que a psicanálise pode dizer sobre a bulimina e anorexia? O que o psicanalista pode fazer diante de uma paciente esquálida, que chega a ele levada pela família ou por indicação médica e que nada tem a dizer de si mesma?

Uma das maiores questões vem do fato dos pacientes não se sentirem doentes e nem apresentarem queixas, por não acharem que exista um sintoma. Do mesmo modo que os pacientes negam este sintoma, negam também o desejo, a palavra, colocando o psicanalista numa posição complicada, já que devem trabalhar com um sujeito que tem fome, mas não se deixa alimentar, e mesmo assim parece não sofrer. Por outro lado, apresentam um corpo frágil, deteriorado, e que, em casos mais severos, apresenta grande risco de morte.

As duas doenças também podem ser vistas como uma expressão da influência de um padrão exigido pela sociedade, um ideal impossível de ser alcançado, a não ser pela via do adoecer. O que a paciente anoréxica e bulímica mostra através dos seus sintomas, é algo que, na impossibilidade de ser representado conscientemente, será expresso metaforicamente pela via do sintoma. É o seu corpo que irá representar o que não pode ser dito.

Assim, também há na bulimia e anorexia, algo que só se faz possível através de um doloroso sintoma inscrito no corpo. Pode-se dizer então, que ambas são assim como a Histeria, uma maneira de expressar uma mensagem que o sujeito não suportaria conhecer.

Devemos ressaltar a complexidade dessas questões que, em cada caso, podem ter razões específicas que influenciam no desenvolvimento do transtorno, e somente através da análise clínica é possível identificá-las. Porém, a boa notícia, é que o tratamento tem altos índices de sucesso e são muitos os que conseguem se recuperar e levar uma vida saudável.

Entre em contato para saber mais sobre o tema:

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FONTES:

PIMENTA, A. C.; FERREIRA, R. A. O sintoma na medicina e na psicanálise

Artigo: Transtornos alimentares – um enfoque psicanalítico

Artigo: O QUE A PSICANÁLISE TEM A NOS DIZER SOBRE A ANOREXIA

ANOREXIA E BULIMIA – Sintomas histéricos do século XIX

Artigo: Anorexia Nervosa e Bulimia: uma abordagem interdisciplinar

Artigo: Anorexia e Psicanálise

Artigo: Anorexia e bulimia, suas interfaces com a histeria e o discurso psicanalítico

 

 

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