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A tristeza inevitável do luto pela perda de uma pessoa querida, o comer excessivamente e as mudanças de humor repentinas em crianças e adolescentes já não são mais consideradas reações naturais dos seres humanos. Segundo a nova edição do Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais), tais comportamentos passam a ser considerados transtornos mentais.

O DSM, considerado a “Bíblia da Psiquiatria”, é a principal fonte de estudos e referências para médicos. Ou seja, qualquer mudança no documento traz reflexos no trabalho de consultórios, hospitais, clínicas e laboratórios do mundo inteiro. A nova versão, apresentada em maio deste ano, traz novas doenças e outras importantes mudanças no mundo da psiquiatria..

Estas novidades trouxeram mais subsídios para o eterno debate: qual é de fato o limite entre o comportamento natural de um ser humano e os sintomas de uma doença psiquiátrica que precisa ser tratada com remédios? E quais as consequências de um diagnóstico breve e que atrela algum desses comportamentos a uma doença mental?

Por exemplo, seria uma birra infantil realmente uma doença mental? Segundo a nova patologia, tal  conduta é agora considerada “Transtorno Disruptivo de Desregulação do Humor”. O que, consequentemente, será tratado com remédios e não mais com a educação do pais, uma simples e franca conversa, como de costume. Já o luto, se durar duas semanas, passa a ser considerado como um dos sintomas de uma doença mental, ou seja, um transtorno depressivo maior. E a solução? Remédios. E assim outras normalidades passam a ser consideradas anormais, tratadas com medicamentos e não mais com soluções naturais. O chamado “passar do tempo”, no caso do luto, passa a não ter mais vez.

Para Allen Frances, professor emérito da Universidade de Duke, nos EUA e responsável por coordenar a revisão anterior do manual, em 1994, publicou em seu blog no site “Huffington Post”, um texto aconselhando seus colegas a simplesmente não adotarem a nova versão. Já para os pacientes, Frances disse que eles não devem aceitar diagnósticos contingentes. “Um diagnóstico psiquiátrico pode representar uma mudança benéfica na sua vida se correto, ou um grande dano se não”, escreveu. “Tome tanto cuidado ao acatar um diagnóstico quanto quando vai comprar uma casa ou um carro. Nunca aceite um diagnóstico ou tome pílulas prescritas após uma avaliação breve”.

Eliane Brum, jornalista da Revista Época, discutiu o assunto em sua coluna online através do texto intitulado “Acordei doente mental”. Ela abordou  respeitosamente a situação e apontou uma questão a se refletir.  “Pensar sobre a controvérsia gerada pela nova “Bíblia da Psiquiatria” é pensar sobre algumas construções constitutivas do período histórico que vivemos. Construções culturais que dizem quem somos nós, os homens e mulheres dessa época. A começar pelo fato de darmos a um grupo de psiquiatras o poder – incomensurável – de definir o que é ser “normal”. E assim interferir direta e indiretamente na vida de todos, assim como nas políticas governamentais de saúde pública, com consequências e implicações que ainda precisam ser muito melhor analisadas e compreendidas. Sem esquecer, em nenhum momento sequer, que a definição das doenças mentais está intrinsicamente ligada a uma das indústrias mais lucrativas do mundo atual.”

Este debate não pertence apenas à medicina, à psicologia e à ciência, mas também à população. É preciso ficar atento aos monopólios da indústria médica, o que não significa descartar seus benefícios, mas sim procurar bons profissionais que usem métodos sensatos e não devastadores à alma e à saúde. Também é importante não permitir que outros, menos competentes, procurem impedir seus pacientes de sentir emoções, tristezas e até mesmo mudanças de humor. Tais sentimentos fazem parte da condição humana, ajudam a ultrapassar dificuldades cotidianas mas obviamente que em excessos, podem desestruturar uma vida.

É notório também, que o novo DSM vem na onda e parece atestar os tempos em que vivemos, onde algo intrínseco ao humano vem sendo entendido como patolológico. Onde ao invés do questionamento e da interrogação sobre a dor e o sofrimento, brota algo no sentido de abafá-la, fazer calar…e rápido! Ser feliz atualmente é uma obrigação,  e mais; ser feliz o tempo todo! É essa péssima insistência do tudo e rápido!

A impressão é que a cada dia a modernidade trabalha para despersonalizar, desumanizar o humano. Porém é bom perceber, há algo que é singular, é o sofrimento daquela determinada pessoa, sua história, suas glórias e derrotas e certamente é isto que está implicado em seu sofrimento; não é possível colocar todos num mesmo saco e querer classificar tudo, temos que escutar! Dar voz a este sujeito que sofre em sua singularidade e não classificá-lo. Fica a pergunta: o que diz de um sujeito uma classificação, um diagnóstico seja ele qual for, T.O.C. por exemplo?

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