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Bigstock – Divorce

O individual e o conjugal no processo de identificação de si-mesmo é analisado por Kaufman (1988) que defende a tese de que o individual não se manifesta nunca no “estado puro”. Nas histórias de casal, é possível perceber que o grau de dissimulação individual no holismo conjugal é muito variável nos diferentes aspectos da vida cotidiana. A média resultante da soma destas micro-diferenças que estão em movimento permanente daria o grau de fusão de um casal, num dado momento.

Lemaire (1988), ao discutir a questão da conjugalidade, defende a tese de que não existe sujeito totalmente constituído e que a conjugalidade se constrói em torno das zonas mais mal definidas do eu de cada cônjuge. Assim, no casal, os indivíduos misturam suas fronteiras e, muitas vezes, a terapia é o meio privilegiado para o tratamento de pessoas mal individualizadas.

Em seu estudo sobre o Narcisismo, Freud (1966) descreve os caminhos que levam à escolha de objetos sexuais e conclui que uma pessoa pode amar em conformidade com dois tipos: o narcisista e o anaclítico. No primeiro tipo, a pessoa ama: (a) o que ela própria é (ou seja, a si mesma); (b) o que ela própria foi; (c) o que ela própria gostaria de ser; (d) alguém que foi uma vez parte dela mesma. No segundo tipo, a pessoa ama: (a) a mulher que a alimentou; (b) o homem que a protegeu, e a sucessão de substitutos que tomam o seu lugar.

Assim, no tipo de escolha objetal  denominado narcisista, as pessoas procuram a si mesmas como um objeto amoroso e, segundo Freud, são pessoas cujo desenvolvimento libidinal sofreu alguma perturbação. No tipo de escolha denominado analítica ou de ligação, as pessoas tomam como modelo os primeiros objetos sexuais que foram fonte de alimentação, cuidado e proteção, e permitiram seu equilíbrio narcísico.

Freud não conclui, entretanto, que os seres humanos se acham divididos em dois grupos acentuadamente diferenciados segundo uma escolha objetal do tipo anaclítico ou narcisista, mas postula que ambos os tipos de escolha estão abertos ao indivíduo, embora este possa preferir um ou outro. Ao dizer que o ser humano tem originalmente dois objetos sexuais – ele próprio e a mulher que cuidou dele – Freud postula a existência de um narcisimo primário em todos e que, em alguns casos, manifesta-se de forma dominante na sua escolha objetal.

O casamento na atualidade

Os casamentos e os relacionamentos em geral já não são mais tão duradouros. Este fenômeno teve início a partir do período Pós-Guerra, com o fim das categorias universalizantes, com a queda do sentido da tradição e também com a desconstrução dos paradigmas da modernidade, tudo isso, levou aos casamentos e as outras formas de família a se dissolverem com maior facilidade moral e jurídica.

A busca da felicidade e a família fundada na afetividade são os fundamentos que passam ser considerados em todos os relacionamentos, não há mais porque permanecer numa relação que traga mais conflitos que alegrias.

As características da contemporaneidade, dentre elas ressalta-se a instantaneidade, a ambivalência, a fluidez e precariedade nas relações, a fragmentação, o individualismo e o consumismo, muito contribuíram para o enfraquecimento dos laços familiares.

A união de um casal implica na partilha dos sonhos, sentimentos e ambições. Tais objetivos são conduzidos por um sentimento dominante de felicidade e expectativa em relação ao futuro e aos frutos a que o mesmo dará origem.

Os momentos vividos em comunhão redundam em prazeres (amar, acarinhar, rir…) e desprazeres (chorar, brigar, julgar…) e exigem posturas próprias do ser , daquele que não quer ou não pode viver sozinho (ouvir, conversar, ceder…). Segundo Ana Souza, tudo isso faz parte das relações entre humanos, constituindo processos de crescimento, de conhecimento inter e intrapessoal que apenas servirão para fortalecer laços.

Para Freud, a gênese de qualquer enamoramento é narcísica. É que o amor consiste em supor o ideal de si mesmo no outro. Assim criamos uma imagem ideal naquele a quem elegemos como objeto amoroso, que vem justamente completar o que falta em nós, para chegarmos ao ideal sonhado (PEREIRA, 2000, p. 70).

A forma mais tradicional em nossos tempos de constituição de família é o casamento. Seu papel transcende os aspectos religiosos e jurídicos, pois como aludido anteriormente é, para muitos, o veio condutor à felicidade plena. Mas nem sempre as coisas são “flores”.

Com relação ao divórcio, a psicologia nos esclarece que o temor da separação é uma constante na vida do ser humano, desde o seu nascimento, quando se vê separado do conforto materno pelo corte do cordão umbilical. O início da fase adulta que simbolicamente representa a separação com os pais, a perda de amigos e parentes pela morte ou distanciamento natural dos mesmos, enfim, seja qual for à circunstância, o desconforto da separação será identificado, de maneira mais ou menos intensa.

A partir da descoberta de Sigmund Freud, de um inconsciente que é estruturado com uma lógica que é própria, tivemos acesso a outro sujeito além do sujeito de direito – o sujeito do desejo. Buscamos a integração diferenciada desses dois sujeitos, ou melhor, desses aspectos de um mesmo sujeito, e não mais a disjunção. (GROENINGA, 2004, p. 252)

Segundo Pereira (2000, p. 66), é justamente o desejo o sustento do laço conjugal, entretanto, este sentimento implica em uma necessidade constante de renovação. Fisiologicamente, desejo é sempre estar desejando outra coisa. Nesse sentido, difícil seria conceber um casamento ou qualquer outra relação de forma tranqüila em sua duração.

A interferência de ordem jurídica em conflitos dessa natureza se faz necessária, por questões de ordem, especialmente patrimoniais, mas deve se estabelecer de maneira delicada, vez que envolve dores, mágoas, frustrações, e sofrimentos das pessoas que vivem tais situações.

Olhando do ponto de vista psíquico, não existem exatamente culpados pela separação. O casamento é uma construção cultural. Cada cônjuge é um sujeito que entra para o casamento trazendo seus costumes, suas heranças familiares. Cada cônjuge sofreu a instituição da Lei de uma forma diferente. Cada um vem para o casamento com suas heranças, seus significantes, resultado do modo como sofreu as interdições pelo exercício das funções paterno e materno para se constituir em sujeito. E isso pode tornar difícil ou impossível o entendimento.

Ainda que se identifique o responsável pela separação, cuja conduta redundou na insatisfação da outra parte, não seria seguro afirmar o caráter culpável de tal conduta. Como afirmar o que é certo ou errado no contexto de uma relação repleta de subjetividades?

O compromisso da terapia é com a promoção da saúde emocional das pessoas e não com a manutenção ou a ruptura de um casamento. Em pesquisa realizada a partir do atendimento, ao longo de três anos, de 16 casais em terapia, verificou-se as relações existentes entre a vivência da individualidade e da conjugalidade, os diferentes tipos de escolha amorosa e a ruptura ou não do casamento. (Féres-Carneiro, 1995)

O estudo da escolha amorosa foi norteado pelo conceito de colusão, desenvolvido por Willi (1975), e descrito como um jogo conjunto, não confessado entre os parceiros, que se estabelece em função de um conflito similar não superado. Os cônjuges se unem por supostos comuns, quase sempre inconscientes, e com a expectativa de que o parceiro o liberte de seu conflito. A colusão seria uma matriz interacional, que organiza a vida amorosa do casal. No jogo colusivo, há uma troca de características latentes ou manifestas da personalidade dos cônjuges. São facetas de uma mesma temática comum, que se arranja de forma complementar.

As sessões de psicoterapia melhoram a escuta, diálogo, autoconhecimento, disposição para a parceria, conhecimento das necessidades do outro, construção de projetos adequados conforme cada fase do relacionamento. É necessário que as pessoas não se tratem como objetos, mas se relacionem amando-se de forma produtiva e recíproca.

 

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Fontes:

http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-389X1994000200005

https://jus.com.br/artigos/18575/a-dissolucao-da-sociedade-conjugal-e-a-psicanalise

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-79721998000200014&lng=pt&tl

http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?pid=S1413-03942009000100013&script=sci_arttext

Psicoterapia Conjugal: qual meu jeito de amar?

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