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“Eu não sabia o que fazia as pessoas quererem ser amigas. Eu não sabia o que as fazia querer ser atraentes umas para as outras. Eu não sabia o que eram interações sociais.”

“Eu não me sinto culpado por nada. Eu sinto pena de quem se sente culpado.”

“Eu sou o mais frio filho da p*** no qual você já colocou seus malditos olhos. Eu não dou a mínima para aquelas pessoas.”

Essas frases de Ted Bundy resumem as principais características de um psicopata: uma pessoa insensível, manipuladora, sem empatia, impulsiva, e com pouca capacidade ou nenhuma de sentir culpa ou remorso.

O termo psicopatia foi descrito pela primeira vez em 1941, pelo psiquiatra americano Hervey M. Cleckley. Essa doença é uma anomalia psíquica, que altera o comportamento do indivíduo e sua conduta social. A característica predominante em todos os psicopatas é a falta de emoção, esses indivíduos não conseguem entender o que as pessoas sentem, podem não distingue o certo do errado e vêm as pessoas como objetos.

A psicopatia pode se estruturar por vários fatores e o senso comum imagina que trata-se de loucura, alguém desprovido de razão, perigoso e por isso deve permanecer longe do convívio social. No entanto, um entendimento aprofundado sobre o tema aponta nuances sobre este tipo de personalidade que não evidencia comportamentos condizentes com a loucura. Alguns sociopatas estão em qualquer ambiente que frequentamos. Possuem diferentes maneiras de relação com os outros, mas o que é semelhante é o sofrimento psíquico que infligem às pessoas de seu convívio.

Em relação à Psicanálise, a partir de 1896, Sigmund Freud colocou o termo “perversão” ao lado da psicose e da neurose. Historicamente a perversão está em um campo bem amplo, pois engloba comportamento, práticas e fantasias correlacionados à norma social. Para Freud, a neurose seria o “negativo da perversão”. Sendo assim, o pai da Psicanálise apontava para o caráter selvagem, polimorfo e pulsional da sexualidade perversa. Ao contrário da sexualidade neurótica, a perversa não conhecia o recalque, o incesto e a sublimação. A falta de limites decorria em virtude do desvio em relação a uma pulsão, uma fonte (órgão), objeto e alvo. A partir de 1915, Freud reformulou suas observações.

Ao lado da psicose, definida como a reconstrução de uma realidade alucinatória, e da neurose, resultante de um conflito interno seguido de recalque, a perversão aparece como uma renegação ou um desmentido da castração, com uma fixação na sexualidade infantil.

Apesar de todo o sofrimento que podem gerar, os psicopatas não se percebem doentes. De fato, não acreditam que há algo errado com sua personalidade e apenas aceitam o fato de que funcionam de maneira diferenciada. Mais do que isso, o psicopata tende a achar que as noções de moralidade e de altruísmo presentes na sociedade são demasiadamente idiotas e sem propósitos. Eles estão convencidos de que estão à frente na escala evolutiva. Os outros são fracos e merecem ser subjugados. São predadores de sua própria espécie.

Há uma forte associação entre a psicopatia e a violência, já que muitas das características que são importantes para a inibição do comportamento violento e antissocial, tais como: empatia, capacidade de estabelecer vínculos, medo da punição e culpa, estão severamente diminuídas na perversão. Além disso, o egocentrismo, a megalomania, a impulsividade, o baixo controle dos impulsos, a necessidade de poder e controle, tudo isso facilita a vitimização dos outros, através do uso de intimidação e da violência.

Mas na verdade um psicopata não será necessariamente violento. A sociedade costuma confundir os psicopatas com os assassinos em série dos filmes americanos. É bem verdade que estes assassinos seriais podem ser psicopatas, mas também podem ser loucos (psicóticos) ou até neuróticos. Um perverso pode passar sua existência sem tirar a vida de um humano. De qualquer maneira, mesmo os psicopatas não violentos tendem a ser destrutivos em seu convívio social, pois não possuem reatividade emocional profunda, ou seja, não respondem emocionalmente a certos estímulos.

Em resumo, de acordo com médicos, psicólogos e estudiosos, estes sintomas são:

– Encanto superficial.

– Egocentrismo, sensação grandiosa de autoestima.

– Necessidade de estimulação e tendência ao tédio.

– Manipulação e mentira patológica.

– Falta de remorso e de sentimento de culpa.

– Insensibilidade e falta de empatia.

– Estilo de vida parasita.

– Conduta sexual promiscua.

– Problemas precoces de comportamento.

– Falta de metas realistas.

– Impulsividade e irresponsabilidade

Não é de surpreender, portanto, que haja um grande número de psicopatas nas prisões. Estudos indicam que cerca de 25% dos prisioneiros americanos se enquadram nos critérios diagnósticos para psicopatia. No entanto, as pesquisas sugerem também que uma quantidade considerável dessas pessoas está livre. Alguns pesquisadores acreditam que muitos sejam bem-sucedidos profissionalmente e ocupem posições de destaque na política, nos negócios ou nas artes.

 

Em termos estatísticos, especialistas garantem que a maioria dos psicopatas é homem, mas os motivos para esta desproporção entre os sexos são desconhecidos. A frequência na população é aparentemente a mesma no Ocidente e no Oriente, inclusive em culturas menos expostas às mídias modernas. Em um estudo de 1976 a antropóloga americana Jane M. Murphy, na época na Universidade Harvard, analisou um grupo indígena, conhecido como inuíte, que vive no norte do Canadá, próximo ao estreito de Bering. Falantes do yupik, eles usam o termo kunlangeta para descrever “um homem que mente de forma contumaz, trapaceia e rouba coisas e (…) se aproveita sexualmente de muitas mulheres; alguém que não se presta a reprimendas e é sempre trazido aos anciãos para ser punido”. Quando Murphy perguntou a um inuit o que o grupo normalmente faria com um kunlangeta, ele respondeu: “Alguém o empurraria para a morte quando ninguém estivesse olhando”.

Estudos coordenados por diversos pesquisadores, entre eles o psicólogo americano Randall T. Salekin, da Universidade do Alabama, indicam que, de fato, é comum que essas pessoas recorram à violência física e sexual. Além disso, alguns seriais killers já acompanhados manifestavam muitos traços psicopáticos, como a capacidade de encantar o interlocutor desprevenido e a ausência de culpa e empatia. No entanto, a maioria dos psicopatas não é violenta e grande parte das pessoas violentas não é psicopata. Entre os que comentem homicídio, podemos classifica-los em:

Matador em Massa: Mata quatro ou mais vítimas em um só local, num só evento. Em geral, sua explosão de violência é dirigida para o grupo que supostamente o oprimiu, ameaçou ou rejeitou.

Serial Killer: pode ser definido como assassino em série aquele que comete dois ou mais assassinatos, envolvendo ritual com mesmas necessidades psicológicas, mesmo que com modus operandi diverso, caracterizando no conjunto uma “assinatura” particular. Os crimes devem ter ocorrido em eventos separados e em datas diferentes, com algum intervalo de tempo relevante entre eles. As vítimas devem ter um padrão de conexão entre elas; a motivação do crime deve ser simbólica e não pessoal.

Uma confusão comum está situada na diferenciação entre psicose e perversão(psicopatia).  Ao contrário dos casos de pessoas com transtornos psicóticos, em que é frequente a perda de contato com a realidade, os psicopatas são quase sempre muito racionais. Eles sabem muito bem que suas ações imprudentes ou ilegais são condenáveis pela sociedade, mas desconsideram tal fato com uma indiferença assustadora.

A verdade é que ainda estamos longe de uma resposta definitiva sobre as origens e a estruturação psíquica da psicopatia, e no pior dos casos, o que leva um psicopata a se tornar um assassino e, indo mais a fundo, a resposta científica para a aberração mental chamada serial killer. Estes são casos tão extremos que é natural para nós perguntar se essas pessoas não possuem defeitos cerebrais. Sem uma resposta definitiva, nós podemos apenas supor, assim como fez Harold Schechter, em seu livro Serial Killers – Anatomia do Mal:

“Parece provável que tanto a educação como a natureza podem contribuir para a criação de serial killers”.

A psicopatia é tema muito abordado em filmes de suspense, eles tentam expor um pouco da noção dessa complexa estrutura. Um deles é o filme “Precisamos falar sobre Kevin”, que relata a história de um menino que desde a infância delata que algo estava errado em seu comportamento social.

Para quem quiser saber mais sobre essa anomalia segue o trailer do filme

https://www.youtube.com/watch?v=37Hwj5j6z3Y

Tem alguma dúvida sobre o assunto? Deixe seu recado nos comentários!

 

Fontes:

– www.psicologado.com

– www.sppsic.org.br

www.pepsic.bvsalud.org

– www.psicanalisefocal.blogspot.com.br

– Livros “Serial Killers: Louco ou Cruel?” e “Serial Killers: Made in Brazil”, da escritora Ilana Casoy.

– Artigo “O que é um psicopata? ” por Scott O. Lilienfeld e Hal Arkowitz

– Artigo “Psicopatia: Conceito, Avaliação e Perspectivas de Tratamento” por Alex Barbosa Sobreira de Miranda.

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