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Quando comprar em excesso vira sintoma

Quando comprar em excesso vira sintoma

Quando comprar em excesso vira sintoma | Imagem: Bigstock

Diante de um mercado forte e diversificado, a sociedade contemporânea é continuamente bombardeada por sedutoras peças publicitárias, que prometem bem-estar, status, conforto, projeção imediata e ilusão de segurança. A lógica do “consumo, logo existo”, segundo a qual o bem-estar é conquistado pela aquisição de produtos. Em casos extremos, o descontrole por compras pode se tornar um sintoma.

A felicidade consiste na satisfação casual de grandes necessidades, possível sob uma forma transitória e episódica, que não exclui da vida do sujeito adversidades, pelo contrário, reserva-lhe uma miséria comum e cotidiana, característica da condição humana que nada tem a ver com um propósito divino.

A pessoa refém do impulso de gastar sofre e experimenta forte ansiedade que só é aliviada quando faz a compra. Não consegue controlar um desejo intrusivo e repetitivo. O ato é imediatamente seguido por intenso sentimento de alívio. Em situações de impossibilidade de comprar podem aparecer sintomas como irritação, sudorese, taquicardia, tremor e sensação de desmaio iminente. Algum tempo depois de adquirir a nova mercadoria, porém, surge a sensação de remorso e decepção diante da incapacidade de controlar o impulso. Numa atitude compensatória, o mal-estar causado pela culpa leva a pessoa a comprar em excesso novamente, dando continuidade a um círculo vicioso.

Numa sociedade que estimula o máximo consumo e a satisfação do prazer imediato, a compulsão por compras pode não ser notada tão prontamente como sintoma, diferente do que ocorre com outras dependências, como o abuso de drogas. Assim, pode ocorrer de levar muitos anos até o reconhecimento do caráter patológico do comportamento.

A avaliação do problema não é feita com base na quantidade de dinheiro gasto. Isso, por si só, não constitui evidência para diagnóstico, mas sim prejuízo que o comportamento pode causar na vida, já que a pessoa pode passar a negligenciar atividades importantes como trabalhar e estar com a família. O que deve ser considerado é a relação do paciente com a compra. Para o compulsivo, o único prazer pode estar localizado no ato de adquirir, ele não pretende usufruir do objeto: é um comportamento vazio. Há portanto, uma restrição do prazer, um empobrecimento social e apatia diante de outros estímulos.

O artigo “Compulsive Buying. Demography, Phenomenology and comorbidity in 46 subjetcs”, publicado pelo periódico Gen Hosp Psychiatry em 1994, mostra que 94% dos compradores compulsivos são mulheres. No caso da compra por hábito ou impulso, a pessoa se sente atraída pelo produto; quando se trata de compulsão há descontrole, o compulsivo simplesmente não suporta barrar o mandamento de comprar em excesso.

Grande parte dos profissionais destaca características do adoecimento com:  alguma carência afetiva e implicações com necessidades de estabelecer relações de poder, já que nossa organização social nos ensina que para ser poderoso é preciso possuir objetos. No entanto, é necessário verificar na clínica com cada sujeito o que está envolvido na construção do seu sintoma.

A voracidade do compulsivo parece estar envolvida com elementos tão presentes na atualidade, como o narcisismo, o culto ao eu e o vazio existencial. O ato de comprar em excesso equivale a uma experiência erótica que atenua o sofrimento do homem contemporâneo. As pessoas recorrem ao consumo exagerado para que possam exibir uma imagem narcísica, que tem por objetivo o preenchimento do vazio com objetos. A compulsão se baseia numa lógica social que supervaloriza o ter em detrimento do ser.

Nossa cultura valoriza artistas envolvidos em impressões estéticas e performáticas, o que aumenta a insegurança das pessoas sobre o que têm como potência. Isso deflagra uma sensação generalizada de desqualificação. Se não fôssemos bombardeados a cada instante pelo estrelismo alardeado pela mídia, estaríamos menos tomados pela compulsividade.

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Fontes:

 

 

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